Comida Japonesa: o que é popular no Brasil representa a realidade no Japão?

Em 2015, o Paulo teve a chance de morar por quase um semestre em Tóquio (Japão) e no começo de 2016, tive a chance de acompanhar ele por alguns dias lá. Foi uma experiência riquíssima em termos culturais e gastronômicos.

Antes de o Paulo ir pra lá a 1ª vez, tínhamos uma concepção muito equivocada do que era a culinária japonesa… a gente achava que os rodízios de sushi, sashimi, temaki, tempura e outras coisinhas fritas deliciosas representavam as coisas que mais se comem no Japão. Esse é um engano bastante comum e, por isso, gostaria de compartilhar algumas descobertas gastronômicas que fiz deste universo durante minha estadia lá.

Partindo do ponto conhecido dos rodízios de sushi, sashimi e outras delícias, pode-se dizer que é verdade que eles são comuns por lá, mas as coisas que mais fazem sucesso por aqui (leia-se hot rolls, molhinhos com cream cheese, etc.) não existem por lá e poderiam até ser considerados abominações pelos chefs locais rsrs.

Explico: peixes são muitíssimo apreciados no Japão, afinal eles possuem uma abundância de peixes frescos por lá (os que comemos aqui estão muito longe de serem frescos de fato)! Existem inclusive leilões de atum de madrugada, para garantir que os restaurantes tenham sempre os peixes mais frescos possíveis, pois quanto maior o nível de frescor, mais saboroso é. Os chefs de restaurante lá fazem lindas composições com algas,  legumes, peixes super frescos muito saborosos e molhos suaves que ressaltam os sabores dos peixes de forma realmente incrível. Por isso, mergulhar o arroz e o peixe em um mar de shoyu não é algo aceitável, porque ao fazer isso se sente apenas o sabor do molho de soja e se perde por completo o sabor do peixe fresco. [Conhecemos inclusive alguém que foi advertido por um sushi master quando foi mergulhar o nigiri no shoyu – aparentemente naquele restaurante mergulhar qualquer parte do sushi no molho seria uma ofensa]. Se for para completar o sabor do sushi com shoyu, deve-se mergulhar levemente apenas o peixe no molho, mas o arroz jamais!

No quesito sushi, existem restaurantes em Tóquio que levam muito a sério a qualidade dos ingredientes, as técnicas e os sabores. Nós não chegamos a ir a nenhum deles, porque em geral são muito caros, mas para quem tiver curiosidade de ver todo esse cuidado e trabalho existente por trás desses renomados restaurantes, recomendamos um documentário chamado “Jiro Dreams of Sushi” que mostra a rotina do restaurante Sukiyabashi Jiro (03 estrelas pelo guia Michelin), que possui apenas 10 assentos para clientes e é disputadíssimo (apesar do preço elevado!) em enormes filas de espera.

A minha experiência com sushi em Tóquio foi marcada especialmente pelos kaiten zushi bars, que são restaurantes com esteiras, em que os pratos preparados pelos sushi masters ficam rodando entre as pessoas e cada um se serve como quiser. A cor dos pratos determina o seu preço, e assim, no final, soma-se o valor total pela contagem dos pratos.

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Variação de Kaiten Sushi que visitamos perto da estação de Shibuya, em Tóqui (Japão). Os sushis são pedidos pelo painel e são entregues por meio da esteira que fica acima da bancada. Ah, na mesa tem torneira com água quente para fazer chá verde, se quiser 🙂 Crédito da foto: Cozinha para Mortais

Deixando os sushis de lado, uma coisa que comi muito em Tóquio foi ramen (afinal, o Paulo adora!) – é uma cumbuca com bastante macarrão do tipo lamen, caldos variados (as bases mais comuns são molho de soja – shoyu ramen, pasta fermentada de feijão – miso ramen, de sal – shio ramen, ou de carne de porco – tonkotsu ramen), ervas, ovos e legumes. Para quem não conhece, pode parecer estranho no primeiro contato, mas depois de umas colheradas fica muito bom! 🙂

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Tonkotsu ramen que pedi em restaurante de Machida, na grande Tóquio (Japão). Bastaaaante broto de feijão pra acompanhar, como podem ver 🙂 Crédito da foto: Cozinha para Mortais

Se alguém quiser provar, temos em São Paulo, no bairro da Liberdade, alguns restaurantes que possuem excelentes opções de ramen a um preço razoável. Os nossos favoritos são:

Aska Lamen
Rua Galvão Bueno, 466 – Liberdade
De terça a domingo, das 11h às 14h e das 18h às 21h
Telefone: (11) 3277-9682
Obs.: Não tem estacionamento no local, mas existem alternativas ao redor. Só aceita dinheiro como forma de pagamento. Em geral, tem fila de espera nos horários de pico (então, é melhor chegar mais cedo).

Jojo Ramen
Rua Dr. Rafael de Barros, 262 – Paraíso
Almoço: Seg a Sex das 11h30 às 14h30; sáb das 12h às 15h
Jantar: Seg a Sáb das 18h às 22h
Telefones: (11) 3262-1654 / (11) 3279-5005
http://www.jojoramen.com.br/index.html

Outro prato muito comum no Japão (que eu particularmente ADORO) é o gyudon – de forma bem objetiva, é uma tigela com uma porção expressiva de arroz japonês no fundo coberta por um bocado de pedacinhos de carne com cebola cozidos em um molhinho agridoce. Simples e fantástico na minha opinião!

Em São Paulo é possível encontrar gyudon  muito bom em alguns restaurantes. Vale a pena provar 🙂 Nossos lugares favoritos até o momento para comer este prato são os seguintes:

Mugui
Rua da Glória, 111 – Liberdade
De segunda a sábado – das 11h30 às 14h15 e das 18h30 às 22h
Telefone: (11) 3106-8260
Obs.: Não tem estacionamento no local, mas existem alternativas ao redor. O restaurante fica no andar de cima de um prédio, então, precisa subir pelas escadas.

Sukiya
Diversos endereços (no site é possível ver a loja mais próxima)
O horário de funcionamento pode variar entre as unidades, mas a maioria abre de todos os dias das 11h às 22h30

Continuando a saga… em um dos dias em que estivemos lá, um amigo japonês nos levou para comer okonomiyaki, outro prato super comum por lá. É como se fosse uma panqueca caprichada com um monte de ingredientes escolhidos por você. No lugar que fomos, funcionava assim: as mesas possuiam uma chapa grande e as pessoas escolhiam no cardápio as suas misturas. Os atendentes trazem o que foi solicitado e cada pessoa coloca sobre a chapa quente os ingredientes que quer para preparar o prato, no ritmo e da forma que quiser. [Apesar do restaurante que visitei funcionar assim, sei que em outros locais a panqueca já vem pronta no prato.] A massa utilizada na mistura costuma ser feita com farinha, vegetais, água, ovos e repolho, enquanto que os ingredientes opcionais podem englobar cebola, carne (geralmente é de porco), polvo, lula, camarão, vegetais, kimchi, mochi e/ou queijo.

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Okonomiyaki maravilhoso que comemos em Hakone (Japão). Crédito da foto: Cozinha para Mortais

Em São Paulo, existe um restaurante bem conhecido que serve okonomiyaki, mas ainda não tive a chance de provar. De qualquer maneira, deixo aqui as informações dele, caso alguém queira se aventurar 🙂

Washoi Restaurante
Rua da Glória, 224- Liberdade
De terça a dom das 12h às 16h
Sexta e sábado das 18h às 22h
Telefone: (11) 95315-3505

Outra coisa que comi muito por lá foi bentō, um tipo de marmita japonesa com comida para uma pessoa. A versão tradicional contém arroz, peixe ou carne e legumes cozidos ou em conserva pra acompanhar, e tudo é servido em bandejas próprias pra isso, que possuem repartições [aliás, não misturar as coisas para um japonês é algo muito importante! Para eles, os alimentos devem ser tratados em separado na hora de servir e de comer]. Assim que voltamos do Japão, descobrimos um lugar bacana em São Paulo para comer bentō:

Sampo Bentô Deli
R. Fradique Coutinho, 166 – Pinheiros
De segunda a sexta das 12h às 16h / das 18h às 22h30
Sábado das 12h às 16h
Telefone: (11) 2579-0066

Existem ainda diversos outros pratos salgados populares, mas que não tive a oportunidade de provar [espero ter em breve! 🙂 ]:

  • kare rice  – é arroz com curry japonês basicamente, mas pode incluir batata, cenoura, cebola e carne também.
  • sukiyaki – é uma espécie de ensopado com fatias finas de carne cozidas na manteiga com diversos ingredientes, como cebola, macarrão japonês, acelga, saquê, shimeji, etc., cozidos em uma panela de ferro;
  • yakitori – em geral, são pedaços de frango colocados em um espeto e grelhados na brasa de carvão. Costuma-se comer com com molho tare.
  • kushikatsu – basicamente, são pedaços de carne de porco e legumes empanados e fritos no espeto. É comum ser feito com carne, frango, cebola, abóbora, cogumelos, batata, queijo e mochi.
  • yakiniku – seria o churrasco japonês, ou seja, fatias finas de carne e legumes grelhados na churrasqueira e consumidos com molho tare.
  • nikuman – é um tipo de pão cozido no vapor, cujo recheio costuma ser de carne de porco.
  • takoyaki – é um bolinho frito de polvo, raspas de tempura, gengibre e cebolinha, que se consome com molho especial, maionese, nori e katsuobushi.

Passando para a sobremesa, preciso contar que me apaixonei por um doce chamado age-manju. Manju é a categoria de docinhos feitos à base de farinha e arroz, que são recheados com algum doce local (doce de feijão, gergelim ou chá verde), cobertos com massa de arroz e cozidos no vapor. Já o age-manju é uma variação deste doce que achei na feira em Asakusa, em que os doces são cobertos com massa de tempura e são fritos…fica sensacional! Gostei tanto que repeti algumas vezes rsrs.

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Age-manju, o bolinho doce que encontrei na feira de Asakusa. A massa é de tempura e é frita. Particularmente, gostei muito deste recheado com doce de feijão! 🙂  é uma delícia. Crédito da foto: Cozinha para Mortais.

Provavelmente, ainda deixei de fora muita coisa, mas minha intenção era compartilhar essa descoberta de que o universo de comida japonesa dos rodízios no Brasil é uma versão muito limitada do que é a comida japonesa de fato. Existe muita coisa boa pra experimentar e conhecer e gostaria de encorajar vocês a fazerem isso 🙂

Espero que essas informações sejam úteis, e lembrem-se que o canal de comunicação aqui está sempre aberto! Críticas e sugestões serão sempre bem vindas. ❤

Abraços,

Pri / Cozinha para Mortais

Créditos: Texto – Cozinha para Mortais / Referências: GetNinjas; Japão em Foco e Deep Japan; Serious Eats

 

 

 

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